50 MINUTOS

Valores humanos para o ENSINO SUPERIOR

NÃO VIOLÊNCIA

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HUMILDADE

NESTA PÁGINA

PARTE 04

NÃO VIOLÊNCIA

“Uma das coisas importantes da não

violência é que não busca destruir a pessoa, mas transformá-la.” (Martin King)

A não violência é um conceito de rejeição à violência, relacionado a poder e conflito, e enfoca movimentos sociais e políticos com objetivos pacifistas. É uma prática que consiste em não recorrer à violência, seja como forma de protesto ou como resposta a práticas violentas. É utilizada por motivos religiosos, éticos ou morais. Algumas pessoas  já aderiram à pratica da não-violência e lutam por seus ideais de forma pacífica.

Mahatma Gandhi foi considerado o pioneiro da prática da não-violência, por liderar o movimento da independência da Índia de forma pacífica, rejeitando todo tipo de violência. Em sua homenagem, o dia 2 de outubro foi considerado o dia internacional da não-violência, data em que se comemora o aniversário de nascimento desse pacifista. A relevância dessa data se centra no desejo de disseminar a mensagem da não-violência através da educação e da consciência pública por uma cultura de paz.      

Considerando o conceito da não-violência, não são os fins que justificam os meios, mas os meios que justificam os fins, ou seja, os fins são as consequências dos meios, dentro de um processo evolutivo de causa e efeito. Nesse contexto, a paz não pode ser obtida através da violência ou da repressão, e compreende-se que se o objetivo é a conquista de uma paz duradoura. Essa proposta precisa se estender aos lares, escolas, empresas, enfim a toda a sociedade.

Nos lares, a proposta da não-violência merece mais atenção tanto nas relações conjugais como nas relações entre pais e filhos. Nos últimos tempos, foram criados juizados especiais e leis em combate à violência doméstica, mais precisamente em defesa da mulher. Apesar de sua grande colaboração, não se pode dizer que tais medidas tenham sanado o problema da violência doméstica. Em geral, nesse quadro o homem é apontado como o pivô da violência contra a mulher, no entanto pesquisas enfocam também as agressões de mulheres contra homens e apontam as mães como as principais autoras dos maus-tratos às crianças, embora estas sofram agressão e punição psicológicas de ambos os pais. 

A violência contra a criança se apresenta de diferentes formas, pode ser de natureza psicológica, física, sexual, por negligência e abandono. Na concepção de alguns pais, essas formas agressivas de se relacionarem têm o propósito de corrigir erros, estabelecer normas de disciplina e educar. Esses pais, principais referências afetivas da criança, apresentam uma tendência a minimizar o problema da violência doméstica e contam muitas vezes com fatores que agravam ainda mais a situação, como problemas financeiros, estresse, dependência química, entre outros. 

Porém a valorização da vida nesse contexto é tão importante que autores chegam a enfocá-la como o oposto da violência. De acordo com Budó et al.(2010), “pode-se dizer que o contrário de violência não é a não-violência e sim a cidadania e a valorização da vida humana”. O autor também nos lembra que, ao começar com pequenas violências, os pais acabam por utilizar formas cada vez mais severas de agressão na resolução de conflitos familiares, e as consequências se refletem na vida da criança, favorecendo a baixa autoestima, o baixo rendimento escolar e distúrbios de conduta.

O baixo rendimento escolar, por sua vez, também pode estar relacionado a diversos outros tipos de violência no âmbito educacional. Alguns autores consideram que a maior violência cometida contra os alunos está na incapacidade de habilitá-los para enfrentar os problemas do mundo contemporâneo, apontam os professores como principais agressores, quando deveriam ser os protagonistas da não-violência na escola.

A violência simbólica é um tipo de violência difícil de ser percebida pelas vítimas; constitui práticas sutis de violência que se observam no cotidiano escolar. Refere-se à segregação, à exclusão, à indiferença, que muitas vezes são mascaradas pelos professores. Outras formas de violência simbólica são a imposição de conteúdos insignificantes para os alunos, a pressão baseada no poder de atribuir nota, a ignorância aos problemas dos alunos, as formas pejorativas ou agressivas de tratá-los, expô-los ao ridículo, quando não compreendem o conteúdo, enfim fatores que prejudicam o desenvolvimento educacional do aluno.

Scarlatto, Carlindo e Silva (2010) descrevem como  professores estão contribuindo com a violência no âmbito educacional. Os autores concluem que “Cabe-nos encontrar alternativas-formativas para formação inicial e continuada de professores/as em curso prazo e de longo alcance para que estes profissionais combatam a violência ao invés de fortalecê-la em meio escolar”.

No âmbito organizacional, as relações recebem pouca atenção diante dos interesses da empresa, privilegiando competitividade, custos e qualidade. Trata-se de um local onde é o ser humano que tem que se adaptar às máquinas, onde a violência também se manifesta de várias formas, inclusive fisicamente, com o intenso ritmo de trabalho, as lesões por esforço repetitivo, entre outras. A violência psicológica pode ser observada no incentivo à competitividade, como, por exemplo, nas homenagens a “funcionário do mês”, a “melhor vendedor”, etc.

Pesquisa enfoca, como formas de sofrimento no trabalho, o medo de acidente, a angústia do ser humano de não se sentir capaz de atender às exigências da empresa, o sofrimento proveniente de repetição contínua de atividade e o aborrecimento, o medo das agressões de usuários ou clientes, o medo da demissão. E tudo isso vai fazendo do homem uma vítima de seu trabalho. 

Soares e Moraes (2011) enfocam a violência nas organizações destruindo a capacidade das pessoas de definir e realizar interesses coletivos. Os autores destacam inclusive a colaboração dos trabalhadores no sofrimento e na injustiça infligidos a outros, favorecendo a banalização do mal, fazendo do trabalho um “mal necessário”. 

Na sociedade, a violência se apresenta na forma de homicídios, acidentes e suicídios; está pautada na desigualdade social, na injustiça, no menosprezo de valores humanos em função do consumismo e dos lucros, no culto à força e ao poder.  A questão da violência contra as crianças, as mulheres e os idosos vem sendo retratada em pesquisas sobre  mortalidade. Da mesma forma que a arma de fogo, as bebidas alcoólicas e outras drogas, a televisão também é considerada como um fator de risco para a violência social, quando em sua programação faz elogios à violência, banalizando as relações sociais, o sofrimento e a vida das pessoas.

Quanto à violência no trânsito, estudos informam que, nos países mais desenvolvidos, a maioria das mortes nesse âmbito é motivada por colisões de veículos; já nos menos desenvolvidos, as vítimas são principalmente pedestres e morrem por atropelamento, o que indica a falta de cuidado dos motoristas. Portanto a não-violência implica na sensibilização e no avanço de uma conscientização social dos fatores que promovem a violência na sociedade. Somente  a partir disso, poderemos pensar em promover a não-violência, ou seja, com medidas pacíficas capazes de combater a violência.

Henry David Thoreau (1817-1862), em sua época, já defendia a ideia da não-violência. Foi um escritor estadunidense que defendeu a desobediência civil individual como forma de oposição legítima a um estado injusto. Ele era um abolicionista que realizava leituras públicas a partir das quais atacava as leis contra as fugas de escravos. Suas ideias sobre desobediencia cívica influenciaram a proposta da não-violência, através do pensamento político, e ações de personalidades que vieram depois dele, como Liev Tolstói, Mahatma Gandhi e Martin Luther King Jr.  

Liev Tolstói (1828-1910) foi um escritor russo pacifista, cujos textos e ideias iam de encontro às igrejas e aos governos, e defendia uma vida simples e em proximidade à natureza. Mahatma Gandhi (1869-1948) foi o advogado indiano que ficou conhecido como o maior defensor do princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto como um meio de revolução. Liderou a luta do seu povo pela independência da Índia, usou o jejum como forma de protesto, assim como o boicote de produtos importados, e encontrou forma de incluir as mulheres na luta pacífica pela indepedência.

Martin Luther King Jr (1929-1968) foi pastor estadunidense, um dos mais importantes líderes dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, e pregou a não violência e o amor ao próximo. Em 1964, recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Foi reconhecido pela sua liderança na resistência não violenta e pelo fim do preconceito racial nos Estados Unidos. Portanto o termo não-violência é comumente associado à luta desses homens.

A resiliência é um valor muito próximo ao da não-violência, pois consiste na capacidade das pessoas de superar ou minimizar os efeitos nocivos das situações difíceis. Implica em flexibilidade na criação de novas soluções para os problemas, em determinação e força para enfrentar as dificuldades, em saber procurar e pedir ajuda. A resiliência pode ser desenvolvida no decorrer da vida, especialmente durante a infância e a adolescência. Portanto é fundamental que os adultos saibam escutar os jovens e compreender o que sentem diante das situações complicadas e que ofereçam apoio para que estes se sintam seguros. Assim, os jovens poderão fortalecer tanto a suanautoestima como a resiliência.

Precisamos entender a importância da não-violência em todos os momentos, compreendendo que a violência não é da natureza humana, é um comportamento aprendido nos processos sociais entre pessoas, instituições e sociedades. Necessitamos buscar formas não-violentas para solucionar problemas e conflitos, ter a consciência de que é possível encontrar maneiras pacíficas de lidar com sentimentos negativos e com situações difíceis.

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Sugestão para leitura complementar: Programa Cinco Minutos de Valores Humanos para a Escola, da autoria de Saara Nousiainen, 2008. O programa está disponível em  <http://www.cincominutosdevalores.org>. Neste endereço, você encontra o tema Não-violência enfocado para jovens e crianças nas seguintes aulas:

·       1º Módulo 1º Semestre: aula 14 – Gandhi; aula 94 – Martin Luther King Jr.

·       1º Módulo 2º Semestre: aula 7 – Paz na família (parte 2); aula 8 – Paz na família (parte 3); aula 9 – Paz como objetivo de vida; aula 13 – Paz coletiva.            

·       3º Módulo 1º Semestre: da aula 92 à 98 – Cultura de paz.

 

  

Referências Bibliográficas

Budó, M.L.D. et. al. Violência e vulnerabilidade: um panorama da produção científica. Revista Saúde, Santa Maria, R. G. do Sul – Brasil. Vol. 36, N. 1, p. 15-22, Jan./Jun. 2010. Disponível em:

<http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/revistasaude/article/viewFile/1492/1550>. Acesso em: 14 out. 2011.

 

Rocha, P. C. X.; Moraes, C. L. Violência familiar contra a criança e perspectivas de intervenção do Programa Saúde da Família: a experiência do PMF / Niterói (RJ, Brasil). Ciência & Saúde Coletiva [online], RJ. – Brasil, Vol. 16, n. 7, pp. 3285-3296, 2011. Disponível em:

<http://www.scielosp.org/pdf/csc/v16n7/28.pdf>. Acesso em: 12 out. 2011.

 

Scarlatto, E. C.; Carlindo, E. P.; Silva, M. Violências por professores/as contra seus/as alunos/as. Revista do Laboratório de Estudos da Violência           da UNESP, Marília, SP - Brasil. Edição 6, núm. 6, dezembro 2010. Disponível em:

<http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/levs/article/viewFile/1129/1017>. Acesso em: 12 out. 2011.

 

Soares, M. C. M.; Moraes, A. B. B. Conflitos nas relações de trabalho: a violência, o sofrimento e o autoritarismo com fatores nas organizações. UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), RJ – Brasil.  2011. Disponível em: <http://biblioteca.gpi.ufrj.br:8080/xmlui/bitstream/handle/1/83/SOARES%20%26%20MORAES%2c%202011.pdf?sequence=1>. Acesso em: 12 out. 2011.

 

Vicente, C. Amor e construtos relacionados: evidências de validade de instrumentos de medida no Brasil. Repositório Institucional, Universidade de Brasília, Brasília – Brasil, jun, 2011. Tese (Doutorado em Psicologia Social, do trabalho e das organizações).   Disponível em: <http://hdl.handle.net/10482/8330>. Acesso em: 03 out. 2011.

    

HUMILDADE

“A humildade exprime uma das raras certezas de que estou certo: a de que ninguém é superior a ninguém.”

(Paulo Freire)

A humildade é uma virtude de quem é humilde, daquele que sabe reconhecer e assumir seus erros, que demonstra ausência de orgulho, vaidade, arrogância, mas é verdadeiro, pois a humildade exige autenticidade. A humildade enfoca a modéstia, a simplicidade, o respeito, a cordialidade, entre outros valores; refere-se à qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre os outros nem se julgam superiores.

Não é sinônimo de fraqueza, pobreza ou de ignorância com relação ao que somos, ao contrário, é consciência do que somos e principlamente do que não somos. Normalmente a humildade vem acompanhada de outras virtudes, como a caridade, a solidariedade, o amor, a verdade e a compaixão. Faz parte do saber ajudar, implica na colaboração com o próximo, sem invadir; contempla a coerência, a delicadeza e o bom senso do comportamento humano.  

A base da proposta educativa de Paulo Freire é o diálogo, que, por sua vez, só é possível a partir de uma postura humilde tanto por parte dos educadores como dos educandos; implica no saber ouvir, na troca de ideias para a construção de novos conhecimentos. Santos (2010), aporta que para Freire ensinar exige humildade, a construção de novos conhecimentos não pode ser um ato arrogante e não existe diálogo sem humildade.

Ensinar exige o reconhecimento de nossas limitações. De acordo com Freire, a arrogância nega não só a generosidade, mas também a humildade, que não é virtude dos que ofendem tampouco dos que se vangloriam por sofrer humilhação. A humildade ajuda a pessoa a reconhecer que ninguém sabe tudo nem ignora tudo, e sem ela dificilmente ouviremos o outro com respeito.

Segundo Santos (2010), “é em meio à humildade, à amorosidade, à coragem, à tolerância, à competência, à capacidade de decidir, à segurança, à eticidade, à tensão entre paciência e impaciência, à parcimônia verbal que o educador contribui para tornar a escola alegre e humana”.

E o que significa a humildade para os líderes? Sempre temos que assumir alguma liderança em determinado momento de nossas vidas, seja em casa com a família, como pai ou mãe; no local de trabalho, com algum cargo de chefia; na escola, como diretor, professor, treinador ou líder de classe; enfim, sempre existe alguma ocasião em que assumimos uma liderança. Mas que tipo de liderança? Como lideramos? 

Considerando a liderança servidora, a primeira preocupação do líder é a de servir, a fim de ajudar as pessoas a se tornarem melhores, a alcançar plenamente o seu potencial. Uma das características desse tipo de líder é a capacidade de persuadir, de procurar sempre convencer e nunca coagir ou constranger ninguém. A humildade também é uma das características do líder servidor.   

Guareschi, Scariot e Paulata (2011) afirmam:

Os líderes humildes não sofrem nenhum complexo de inferioridade. Eles sabem que não têm todas as respostas e aceitam isso com naturalidade. Os lideres humildes não se iludem com quem eles realmente são. Eles sabem que vieram ao mundo sem nada e que partirão sem nada e, por isso mesmo, aprenderam a se controlar e a não serem egoístas. Seu foco não está nos benefícios corporativos, na politicagem interna e muito menos no poder, isto é, na corrida para quem vai ocupar a sala maior. Eles preferem se concentrar nas responsabilidades inerentes a liderança.

 

A mediação de conflitos é uma técnica utilizada pela Justiça para a resolução de questões familiares, buscando restaurar a harmonia. Consiste em induzir as pessoas interessadas a solucionarem um problema, a encontrarem soluções satisfatórias, preservando o relacionamento entre elas; favorece a exposição de sentimentos, facilita a comunicação e a negociação. Exige a participação de um mediador, que  necessitará de humildade para exercer sua função nesses processos, além de paciência, integridade, imparcialidade, conhecimento, docilidade, vigor, crença nos valores humanos, entre outras.

A justiça restaurativa é o modelo de justiça que visa à conciliação na resolução de conflitos. E a humildade é um dos valores que conduzem esse modelo de justiça, assim como o respeito, a honestidade, a interconexão, a responsabilidade e a esperança. Contempla o diálogo entre os participantes e a participação da comunidade. As práticas restaurativas podem ser utilizadas em diversos tipos de crime, entretanto no Brasil ainda está restrita a crimes de menor potencial ofensivo.  

O que podemos entender por falsa humildade? Surge quando valores como a arrogância ou a vaidade se escondem por trás de atos ou palavras que expressam o valor humildade. Quando alguém tenta dissimular a verdade, caracteriza-se a falta de autenticidade, como comprova Lopes (1996):

Em suas cartas, afirmava não viver na corte do rei, mas privar de sua própria casa. Por falsa humildade, pedia aos amigos que sua felicidade não fosse divulgada entre seus amigos, estratégia mais que explicita para tornar suas correspondências “confidenciais” em notícias quase instantâneas. 

  

“Essa falsa humildade é comodismo, assim, tão humildezinho, vais abandonando direitos que são deveres”. Nessa frase Josemaria Escrivá enfoca a falsa humildade como desculpa para não assumir responsabilidades, onde o comodismo abre mão de direitos e deveres. No entanto existe uma oração que pode ser de grande contribuição para o fortalecimento da verdadeira humildade, que diz o seguinte: “Concede-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que eu posso e sabedoria para distinguir uma das outras”. Substituindo a palavra serenidade por humildade, aceitaremos com mais facilidade as coisas que não podemos modificar.

A humildade é também um requisito necessário ao bom político. Pesquisa recente aponta a deficiência na formação de políticos, enfocando a falta de visão de futuro deles, assim como a dificuldade na implantação de inovações, o descontinuísmo das gestões de poder, entre outros fatores. Porém a falta de humildade leva alguns políticos a construírem obras, muitas vezes de elevado custo, com o mínimo de benéficos à população, para aparecer, sem priorizar as reais necessidades da população; eles são movidos pela vaidade, pelo orgulho e por interesses pessoais.

O conhecimento teórico sobre a humildade pode favorecer o aprofundamento dessa virtude no indivíduo, como também o conhecimento exato de suas limitações. Portanto a humildade é uma virtude que exige autoconhecimento, deve ser guiada pela razão e favorece a ressignificação dos valores. A consciência de si mesmo é adquirida pelo ser humano lentamente, à luz de um trabalho interior que o conduz à humildade e facilita a felicidade.

Allan Kardec já dizia: “Estude a si mesmo, observando que o autoconhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz”. Madeiros 2006, cita uma frase de Escrivá que diz: “o conhecimento próprio leva-nos como que pela mão à humildade”. Quando o homem entra em conformidade com o que ele é, aceitando suas fraquezas e fortalezas, caminha em direção à alegria, à paz, a momentos de felicidade.

Se seguíssemos o exemplo de Jesus, deveríamos ser mansos e humildes de coração. Os ensinamentos que Ele nos deixou são um convite à felicidade, mas ainda requer da humanidade uma mudança de valores. O orgulho e a vaidade são obstáculos para a felicidade, pois muitas vezes impõem um elevado nível de exigências centradas nos valores materiais, como a aquisição de objetos supérfluos, desprovidos de sentido. Enquanto isso, a humildade facilita o acesso à felicidade, centra-se nas coisas essenciais da vida, na simplicidade. 

Em 1948, foi fundado o Conselho Mundial das Igrejas (CMI), que tinha como proposta estabelecer uma aliança ecumênica com o objetivo de trabalhar para o Reino de Deus. Em 1972, em reunião no Brasil, o CMI declarou que “a palavra ajuda não está conseguindo mais transmitir relação de solidariedade humana, porque existe nestas relações entre os povos algo fundamentalmente errado: faltam justiça, amor e humildade” (SILVA, 2011). Então, as igrejas foram conclamadas a incluir em suas agendas a ideia de “Justiça, amor e humildade como frutos do Espírito”.

Dizem que a humildade é estranha porque, no momento em que achamos que a temos, já a perdemos. Mas podemos nos aproximar dela compreendendo que não somos melhores que ninguém, como dizia Freire. Para Guareschi, Scariot e Paulata (2011), o ser humano alcançará isso, distanciando-se mais do materialismo e lembrando que veio ao mundo sem nada e partirá dele sem nada. Essas são dicas que favorecem o caminho da humildade.

 

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Sugestão para leitura complementar: Programa Cinco Minutos de Valores Humanos para a Escola, Sugestão para leitura complementar: Programa Cinco Minutos de Valores Humanos para a Escola, da autoria de Saara Nousiainen, 2008. O programa está disponível em  <http://www.cincominutosdevalores.org>. Neste endereço, você encontra o tema Humildade enfocado para jovens e crianças nas seguintes aulas:

·       1º Módulo 1º Semestre: aula 99 – Jesus x humildade.

·       2º Módulo 1º Semestre: aula 21 – A lição da caveira; aula 68 – Dois galos.

·       2º Módulo 2º Semestre: da aula 22 à 25 – Superioridade.

·       3º Módulo 2º Semestre: aula 34 – Valor de verdade e valor de mentira. 

 

 

  

Referências Bibliográficas

 

Dalcastagné, R. Sobre encomendas e virtudes. Itinerários, UNESP, Araraquara, SP – Brasil,17:291:294, 2001. Disponível em: <http://piwik.seer.fclar.unesp.br/itinerarios/article/download/3470/3242>. Acesso em: 17 out. 2010.

 

Guareschi, E.; Scariot, T.; Paulata, T. Liderança: Diferencial imprescindível nos tempos atuais. Secretariado Executivo em Revist@;  UPF - Universidade de Passo Fundo, RS – Brasil, 2011. Disponível em: <http://www.upf.br/seer/index.php/ser/article/download/1763/1172>. Acesso em: 18 out. 2010.

 

Lopes, M. A. Os intelectuais no século da luzes. Síntese - Revista de Filosofia. Brasil. Vol. 23, n. 75, 1996. Disponível em: <http://faje.edu.br/periodicos/index.php/Sintese/article/view/967/1399>. Acesso em: 17 out. 2010.

 

Madeiros, F.M.M. Análise e Interpretação de Imagem Médica com o apoio de agentes de Softwere. Dissertação da Universidade do Minho. Braga-Portugal, 2006. Disponível em: <http://hdl.handle.net/1822/5979>. Acesso em: 18 out. 2010.

 

Santos, T.R. O professor ideal segundo as proposições de Paulo Freire. Caderno da Escola de Educação e Humanidades, Brasil, n. 5, 2010. Disponível em: <http://apps.unibrasil.com.br/revista/index.php/educacaoehumanidades/article/view/519>. Acesso em: 17 out. 2010.

 

Silva, E. 2011. O Conselho Mundial de Igrejas e a Trajetória do Ecumenismo no Brasil. Anais dos Simpósios da ABHR, Juiz de Fora, MG – Brasil. Vol. 12, jun, 2011. Disponível em:

<http://www.abhr.org.br/plura/ojs/index.php/anais/article/download/232/166>. Acesso em: 18 out. 2010.